Nomes de gente au Brazil
Ailton do Amaral
| : A propósito de nomes de gente au Brazil: de
Oliveira, de Carvalho, de Cardoso (zo) na França (Catalonya) usa-se
Cardoze, são nomes de árvores não é assim?
Mas existe uma explicação para esse fenômeno?
Esquecendo o "de", que é simplesmente uma partícula de ligação e não pertence ao apelido (ou sobrenome), apesar dos estrangeiros terem uma certa dificuldade em perceber isso, não acredito que estes sobrenomes e outros, tais como Pereira (que é extremamente comum), Laranjeira, Pinheiro, Nogueira e etc, sejam exclusivos de cristãos-novos. São demasiado comuns para terem só essa origem (principalmente Pereira e Oliveira). A população portuguesa tem um, relativamente grande, componente de herança judaica, tanto de judeus propriamente ditos como de convertidos, já que desde a fundação até ao final do século XV os judeus não foram perseguidos em Portugal. Aliás, eram exatamente as comunidades judaicas os grandes motores de desenvolvimento das regiões onde se instalavam, não tendo limitações em relação às atividades que podiam exercer (que normalmente tinham relação com a ciência, comércio e finanças). No final do século XV praticamente toda a atividade econômica e científica estava nas mãos de judeus ou de seus descendentes. Pode-se mesmo afirmar que a sua expulsão, em 1496, foi um dos maiores erros da história de Portugal, tendo contribuído bastante para o declínio acelerado do império português. No entanto foi um risco calculado, tendo sido sacrificados ao grande sonho ibérico, a unificação de todos os reinos peninsulares sob a égide de Portugal. Quando os judeus foram expulsos da Espanha, devido à politica anti-semita dos reis católicos, é claro que o rei de Portugal D. Joao II os recebeu de braços abertos. No entanto, a grande jogada de iberismo de D. Joao II, com o casamento do seu único filho D. Afonso com a filha mais velha dos reis católicos, e que posteriormente se tornou a herdeira do trono espanhol, fracassou com a morte do príncipe. O rei morreu possivelmente envenenado em 1495 e o seu sucessor D. Manuel I, tentou novamente a unificação casando com a viúva do príncipe. No entanto, uma das condições para esse casamento era a expulsao dos judeus de Portugal e, consciente da importância destes, o rei promulgou o decreto de expulsao, mas estabeleceu um clima de certa tolerância para aqueles que mantivessem uma certa fachada de convertidos ao cristianismo. As maiores perseguições viriam posteriormente, com o estabelecimento da inquisicao por pedido do rei D. Joao III (filho de D. Manuel). No entanto, este casamento fracassou novamente pois a rainha faleceu ao dar à luz ao seu primeiro filho: D. Miguel da Paz, que seria o herdeiro de todas as coroas ibericas: Portugal, Castela e Aragão, mas que também morreu com poucos dias de vida, e mais uma vez o sonhou do iberismo fracassou. Enfim trocou-se uma classe forte e pujante, que sustentava em grande parte a expansão, por um sonho imperial incerto e que fracassou. Já é agora sabido que os Torquemada eram uma familia de judeus convertidos. É paradoxal que alguns dos piores anti-semitas da história, tinham sangue judeu a correr nas veias. Um exemplo contemporâneo seria Jirinowski. Acho o relato desse episódio um tanto quanto exagerado e conheço sua origem política. Minha curiosidade fica em saber que sobrenomes possuíam os judeus ibéricos, daquele século já tão distante. Digo isso porque os atuais nomes de judeus que conhecemos de forma bastante estereotipada, são devidos à imigração de judeus da Polônia, da Rússia e da Alemanha, para as Américas como um todo e não creio que fossem os mesmo na Espanha e em Portugal daquela época. Aliás, que tipo físico teriam os judeus portugueses e espanhóis? Ezquenazis ou Sefaradis? Os Judeus originários da Península Ibérica são chamados Sefarditas. Em Portugal, no reinado de D. Manuel, os Judeus somavam cerca de 1/4 da população. Só uma pequena parte saiu do reino, porque, apesar do édito de expulsão de D. Manuel, este não queria que eles saíssem. Saíram sobretudo as famílias mais ricas. A maior parte ficou no porto de Lisboa à espera do transporte que não aparecia. Então o Rei mandou convertê-los a força e deu-lhes 20 abonos para abandonarem seus costumes e religião. A Inquisição surgida no reinado seguinte, variou se grau de violência de cidade para cidade. Na cidade do Porto em 300 anos, houve apenas um único auto-de-fé e três execuções. Como a maioria dos judeus misturou-se, disfarçou-se e mudou de nome, ao fim de todos estes anos nenhum português pode afirmar com certeza, não ter nenhuma gota de sangue judeu. Algumas comunidades, como a comunidade de Belmonte, ainda hoje fazem segredo deste fato. O sobrenome preferido pelos cristãos-novos, segundo registros, foi o Rodrigues e, portanto, nomes de plantas não tem um significado muito importante para identificar estes judeus convertidos. Também houve numerosos nomes de Santos ou relacionados com a religião: Cruz, Sampaio e Santiago. Dizia-se que: em Viseu havia mais 'Cruzes', do que no cemitério ... |