Comentários aos Sistemas de Numeração em Genealogia

Werner Mabilde Dullius
Sócio-fundador do INGERS


  Introdução

Existem basicamente dois tipos de árvores genealógicas: a árvore de ascendentes e a árvore de descendentes.

A árvore de ascendentes, ou também árvore de costados, ou árvores genealógica inversa, é, como já diz o nome, a árvore formada pelos antepassados - pais, avós, bisavós, trisavós, tetravós, etc., de um indivíduo. Ela parte da data recente e vai para a data antiga e é a árvore particular que se refere somente a um indivíduo.

A árvore de descendentes, ou também árvore de geração, ou árvore genealógica direta, também, como diz o nome, é a árvore formada pelos filhos, netos, bisnetos, trinetos, tetranetos, etc. de um indivíduo. Ela parte da data antiga e vem para a data recente. É a árvore coletiva de vários indivíduos que têm um ancestral em comum.

Essas árvores têm estruturação diferenciada.

A de ascendentes é geométrica, racional, porque para cada filho há dois pais, quatro avós, oito bisavós, dezesseis trisavós e assim por diante. A cada geração que se recua temos o dobro de antepassados.

A de descendentes é orgânica e aleatória, pois que cada casal terá um número aleatório de filhos.

A genealogia tradicional distingüe duas formas de representar os trabalhos genealógicos: por árvores, que são consideradas tão somente os gráficos, e os tratados ou títulos, que são a parte descritiva das árvores. Nós porém entendemos como árvore o trabalho genealógico completo, o tratado, como a parte analítica, e o gráfico como a parte sintética.

A árvore analítica, como diz o nome, trata de cada um dos membros da árvore ao detalhe, dando dados de sua vida, fazendo sua biografia.

A árvore gráfica contém somente o nome do integrante da árvore, na sua posição relativa, e pode ser simplesmente esquemática ou ser enriquecida com acréscimos gráficos, transformando-a em uma representação artística.

Para que possamos identificar os diferentes membros de uma árvore, é necessário que lhes atribuamos endereços ou códigos que nos permitam posicioná-los devidamente.

1 - Sistema para árvores de ascendentes - A notação de Sosa-Stradonitz

Os endereços ou códigos utilizados na árvore de ascendentes são numéricos e foram utilizados primeiramente pelo sábio franciscano português Jerônymo de Souza (?-1711), que os fundamentou e os utilizou em seus trabalhos genealógicos em 1676, esse mesmo método foi retomado em 1898 pelo genealogista e heraldista alemão Stephan Kekule von Stradonitz (1863-1933), quando esse publicou o seu Ahnentafel Atlas e que, desde lá tornou-se de uso universal sob o nome de notação de Sosa-Stradonitz. Também é chamado, equivocadamente, de numeração de ahnentafel. Funciona da seguinte maneira: Dá-se ao indivíduo base ou probandus o número 1 e ao pai deste o dobro de seu número, ou seja, 2 e a mãe o dobro mais um, ou seja, 3 e assim por diante.

Pode-se observar que este tipo de árvore é infinito e contínuo, o que permite indefinidos acréscimos sem perturbar sua rigorosa estrutura. Observa-se que todas as mulheres têm um número ímpar e os homens par.

Esse tipo de notação é tão racional que nos permite, à primeira vista e, com alguma reflexão, saber que o nosso antepassado que nesta árvore recebe o número 123 é mulher, mãe do número 61, que também é mulher e mãe do 30, que é homem, que é pai do 15, que é mulher e mãe do 7, que também é mulher e mãe do 3, que é a mãe do probandus. Poderemos adotar um método mais sofisticado e complicado e dizer que 123 é a mãe da mãe do pai da mãe da mãe da mãe, e conseqüentemente dizer que 61 é a mãe do pai da mãe da mãe da mãe, porém isso já na sexta geração de antepassados do probandus como o 123 fica uma notação deveras difícil de manusear e sem resultados práticos.

Mesmo que adotássemos, para 123, a notação MMPMMM, ela seria quase uma notação binária, muito difícil de ser compreendida.

1.1 - Vantagens e Desvantagens

Essa notação é utilizada internacionalmente e se presta admiravelmente para os arquivos eletrônicos. Qualquer programa de banco de dados digere, sem problemas, uma entrada de dados desse formato, porque tem a virtude matemática da uniformidade conceitual, possibilitando a rápida localização do membro na árvore e simplificando a relação estrutural entre as partes do todo. Usando ou não um computador, esse é o sistema de numeração adequado para árvores de costado.

O problema maior que pode apresentar o sistema é o advindo do implexo de antepassados (vide Forst de Battaglia - uma mesma pessoa ocupando mais de uma posição na árvore de ascendentes). Pelo sistema Sosa-Stradonitz ocorreria a dupla numeração da mesma pessoa e, consequentemente de todos os antepassados daquela. As duas linhas de antepassados que confluíssem a um mesmo indivíduo acarretariam a duplicação do banco de dados sob números diferentes e, mais desatrosamente ainda, a possibilidade de dados divergentes pela consulta de fontes diferenciadas para cada versão que não tivessem a consistência necessária ao rigor exigido pela atividade de pesquisa.

1.3 - O "sistema" Callery.

Baseada no sistema de Sosa-Stradonitz a notação proposta por Callery baseia-se na constatação de que a décima geração é o limite usual da pesquisa genealógica e restringe-se a um sistema de apresentação que utiliza-se dos números de Sosa-Stradonitz até a décima geração quando o número de antepassados nesta geração é de 512 pessoas. Callery propõe a numeração destes antepassados naquela geração, os paternos de 1 a 256 e os maternos de 257 a 512, ambos de forma inversa onde o 256 é o pai e 257 é a mãe do probandus e o desdobramento das árvores de costados de cada um deles naquela décima geração faça-se separadamente. É, na realidade, um conjunto de gráficos de linhagem onde, com 64 páginas de pequeno formato, podem-se apresentar todos os antepassados até a décima geração, sendo que nessa última geração apresentam-se oito antepassados. Vg.:

1.3 - Vantagens e desvantagens.

Obviamente, é apenas um recurso de apresentação e não um sistema de numeração propriamente dito, apesar da confusa inversão da numeração de Sosa-Stradonitz. Pode-se fazer as tabelas gráficas sem consignar essa numeração invertida, o que torna esse "sistema" perfeitamente supérfluo. Consideramos ele nesta apreciação tão somente para conhecimento, uma vez que pode alguém deparar-se com um gráfico desta feitura. Esse "sistema", ao que parece, só foi utilizado na França.

2 - Sistemas para árvores de descendentes

2.1 - Considerações preliminares

Os endereços ou códigos utilizados para a notação de árvores de descendentes são de natureza muito diversa da árvore de ascendentes, pois que a de descendentes é aleatória orgânica, como dissemos anteriormente. Cada descendente poderá ou não ter filhos, poderá ter filhos de mais de um casamento e o número destes filhos será muito variado.

A formulação da notação, em função do objeto, observa duas questões básicas: a) a ordem cronológica dos acréscimos; b) a ordem hierárquica dos filhos.

Na ordem cronológica, a notação será de um tombo, pois que cada qual chega ao seu tempo no seio familiar. Essa notação não será, certamente, prática para se ter uma visão do conjunto familiar, uma vez que não dispõe de forma organizada o quadro de descendentes, pois que a ordem de nascimento dos netos não é, necessariamente, a ordem de nascimento dos filhos.

Na ordem hierárquica a notação coincidirá com o tombo tão somente na primeira geração de descendentes, sendo, daí em diante divergentes e, em casos, opostas. A notação hierárquica facilita a visão da estrutura familiar por ramos, podendo ser seccionada por troncos para facilitar a compreensão nas árvores extensas.

A aparente contradição existente entre as duas ordens tem atrapalhado o entendimento dos genealogistas na adoção de um sistema único à semelhança do existente para as árvores de costados. Além das dificuldades inerentes à adequação das duas ordens, há, também, as impostas por alguns genealogistas que apõem outras de natureza diversa, tentando que na própria notação se tenha uma série de informações extras como se é homem ou mulher, se é filho de outro casamento, se mantém o apelido do genearca, etc. Há casos em que a notação é uma verdadeira senha, hermética e hieroglífica, pois, ao tentar ser iconográfica perde-se em firulas dispensáveis, provocando no leitor efeito muito diverso do almejado. Nesse sentido é emblemático o livreto que foi publicado para explicar como se liam os códigos genealógicos apostos em livro anterior. Parece anedótico, mas é real.

2.2 - Os sistemas

2.2.1 - Sistema de Registro

Muito utilizado por softwares genealógicos, o Sistema de Registro (Register Sistem) é basicamente uma numeração de tombo, onde se combinam alternadamente algarismos arábicos e romanos. É uma notação que faz tombo na ordem hierárquica. Ao genearca, é atribuído o número 1 e aos seus filhos, na ordem de nascimento é dado um número romano, em letras minúsculas. Destes filhos, os que tiverem descendência recebem um outro número, em algarismo arábico, aposto ao número romano, que será índice de chamada na próxima geração. A numeração em algarismos romanos será recomeçada para cada geração de cada casal. A apresentação dá-se por geração. Vg.:

1 - Maneco Terra cc Henriqueta

2 i - Antônio Terra

ii - Lúcio Terra

3 iii - Ana Terra

4 iv - Horácio Terra

Segunda Geração

2 - Antônio Terra cc Eulália

i - Rosa Terra

3 - Ana Terra cc Pedro Missioneiro

5 i - Pedro Terra

4 - Horácio Terra

i - Picucha Terra Fagundes

Terceira Geração

6 - Pedro Terra cc Arminda

7 i - Bibiana Terra

8 ii - Juvenal Terra (I)

Quarta Geração

7 - Bibiana Terra cc Rodrigo Severo Cambará

i - Leonor Terra Cambará

ii - Anita Terra Cambará

9 iii - Bolívar Terra Cambará

8 - Juvenal Terra (I) cc Maruca

10 i - Florêncio Terra

Quinta Geração

9 - Bolívar Terra Cambará cc Luzia

11 i - Licurgo Terra Cambará

10 - Florêncio Terra cc Ondina

12 i - Alice Terra

ii - Maria Valéria

iii - Juvenal Terra (II)

Sexta Geração

11 - Licurgo Terra Cambará cc 12 - Alice Terra

i - Rafael Terra Cambará

ii - Aurora Terra Cambará

iii - Toríbio Terra Cambará

iv - Rodrigo Terra Cambará

v - Romualdo Terra Cambará

vi - Benjamim Terra Cambará

vii - Xisto Terra Cambará

viii - Clarice Terra Cambará

ix - Tibicuera Terra Cambará

x - Vasco Terra Cambará

xi - Amaro Terra Cambará

xii - Olívia Terra Cambará

xiii - Érico Terra Cambará

2.2.1.1 - Vantagens e desvantagens

Por ser um sistema seqüencial misto, o que torna sua compreensão mais difícil, sua utilidade é muito prejudicada, pois que, ao mudar a geração, a numeração romana sai e fica somente o algarismo arábico, o que, na prática, significa que o mesmo indivíduo assume um novo código. Além dessa ambigüidade, por ser seqüencial, a inserção de qualquer descendente, que não seja ao final da árvore, motiva a renumeração de todos os subsequentes. Essa renumeração, ao utilizar softwares, fica transparente ao usuário, mas fica evidente em versões diferentes do relatório impresso, pois nesses, o mesmo indivíduo poderá ter código totalmente diverso, independentemente de que a inserção tenha se dado em ramo que não seja o seu. É preciso muito boa vontade para se ver utilidade ou praticidade nesse sistema.

2.2.2 - Sistema de Registro Modificado

Este sistema, mais que o anterior, é também utilizado por softwares genealógicos e é o adotado pela revista trimestral da National Genealogical Society dos USA. Difere do anterior por apor o número em algarismo arábico sempre, como um número de tombo, independentemente da continuação da árvore por aquele ramo. Para os ramos que tenham descendentes, há a aposição do sinal + na frente do código, indicando que na próxima geração haverá a continuação da árvore. Também há por parte de alguns autores a aposição de letras indicativas do sexo entre os algarismos arábicos e os romanos. A apresentação dá-se por geração. Vg.:

1 - Maneco Terra cc Henriqueta

+ 2 i - Antônio Terra

3 ii - Lúcio Terra

+ 4 iii - Ana Terra

+ 5 iv - Horácio Terra

Segunda Geração

2 - Antônio Terra cc Eulália

6 i - Rosa Terra

4 - Ana Terra cc Pedro Missioneiro

+ 7 i - Pedro Terra

5 - Horácio Terra

8 i - Picucha Terra Fagundes

Terceira Geração

7 - Pedro Terra cc Arminda

+ 9 i - Bibiana Terra

+ 10 ii - Juvenal Terra (I)

Quarta Geração

9 - Bibiana Terra cc Rodrigo Severo Cambará

i - Leonor Terra Cambará

ii - Anita Terra Cambará

+ 11 iii - Bolívar Terra Cambará

10 - Juvenal Terra (I) cc Maruca

+ 12 i - Florêncio Terra

Quinta Geração

11 - Bolívar Terra Cambará cc Luzia

+ 13 i - Licurgo Terra Cambará

12 - Florêncio Terra cc Ondina

+ 14 i - Alice Terra

15 ii - Maria Valéria

16 iii - Juvenal Terra (II)

Sexta Geração

13 - Licurgo Terra Cambará cc 14 - Alice Terra

17 i - Rafael Terra Cambará

18 ii - Aurora Terra Cambará

19 iii - Toríbio Terra Cambará

20 iv - Rodrigo Terra Cambará

21 v - Romualdo Terra Cambará

22 vi - Benjamim Terra Cambará

23 vii - Xisto Terra Cambará

24 viii - Clarice Terra Cambará

25 ix - Tibicuera Terra Cambará

26 x - Vasco Terra Cambará

27 xi - Amaro Terra Cambará

28 xii - Olívia Terra Cambará

29 xiii - Érico Terra Cambará

2.2.2.1 - Vantagens e desvantagens

Da mesma maneira que o seu sistema original, é um método misto e de utilidade prejudicada. Um mesmo indivíduo pode assumir códigos diferentes e, a inserção de novos membros na árvore provoca a renumeração de todos os subsequentes, independentemente de ramo. Da mesma maneira, a renumeração nos softwares, é automática, pois que é gerada sempre que se faz uma impressão, e caso haja acréscimo na árvore, entre uma impressão e outra, os códigos impressos serão diferentes. A vantagem desse sistema sobre o anterior é que a numeração de tombo, em algarismos arábicos, dar-se-á para todos os descendentes, independentemente que estes tenham ou não, por sua vez, descendentes. É um sistema melhor que o anterior, mas sem chegar a se tornar algo que possa ser visto como bom. Serve para uma árvore acabada a qual não sofrerá nenhuma modificação ou, principalmente, acréscimo.

2.2.3 - Sistema Henry

É o sistema que foi adotado por Reginald Buchanan Henry em seu trabalho Genealogias das Famílias dos Presidentes, de 1935. É um sistema puramente hierárquico que obedece o seguinte: ao genearca é dado o número 1; ao primeiro filho dele é dado o número 11, ao segundo filho o número 12, ao terceiro o número 13 e assim por diante até o nono filho que fica 19, o seguinte, décimo filho recebe o código 1X, o décimo primeiro o código 1A, o décimo segundo o código 1B, o décimo terceiro o código 1C e assim subseqüentemente até o 1W que será seguido pelo 1Y e este pelo 1Z. Por ser hierárquico, pode ser apresentado por geração ou em cascata. Quando apresentado por geração os softwares normalmente apõem o sinal + à frente do código indicando que segue geração. Vg.:

1 - Maneco Terra cc Henriqueta

+ 11 - Antônio Terra

12 - Lúcio Terra

+ 13 - Ana Terra

+ 14 - Horácio Terra

Segunda Geração

11 - Antônio Terra cc Eulália

111 - Rosa Terra

13 - Ana Terra cc Pedro Missioneiro

+ 131 - Pedro Terra

14 - Horácio Terra

141 - Picucha Terra Fagundes

Terceira Geração

131 - Pedro Terra cc Arminda

+ 1311 - Bibiana Terra

+ 1312 - Juvenal Terra (I)

Quarta Geração

1311 - Bibiana Terra cc Rodrigo Severo Cambará

13111 - Leonor Terra Cambará

13112 - Anita Terra Cambará

+ 13113 - Bolívar Terra Cambará

1312 - Juvenal Terra (I) cc Maruca

+ 13121 - Florêncio Terra

Quinta Geração

13113 - Bolívar Terra Cambará cc Luzia

+ 131131 - Licurgo Terra Cambará

13121 - Florêncio Terra cc Ondina

+ 131211 - Alice Terra

131212 - Maria Valéria

131213 - Juvenal Terra (II)

Sexta Geração

131131 - Licurgo Terra Cambará cc 131211 - Alice Terra

1311311 - Rafael Terra Cambará

1311312 - Aurora Terra Cambará

1311313 - Toríbio Terra Cambará

1311314 - Rodrigo Terra Cambará

1311315 - Romualdo Terra Cambará

1311316 - Benjamim Terra Cambará

1311317 - Xisto Terra Cambará

1311318 - Clarice Terra Cambará

1311319 - Tibicuera Terra Cambará

131131X - Vasco Terra Cambará

131131A - Amaro Terra Cambará

131131B - Olívia Terra Cambará

131131C - Érico Terra Cambará

2.2.3.1 - Vantagens e desvantagens

Por ser um sistema hierárquico, é muito bom para a compreensão da árvore e, sem dúvida, muito superior aos sistemas anteriores, principalmente por ser uma numeração com um código unitário. Cada indivíduo terá um código somente, o qual poderá ser alterado por inserção de membro anterior com a vantagem de alterar os subsequentes tão somente nos ramos atingidos, desvantagem aliás que não se furta nenhum sistema. Também com o uso de softwares, essa renumeração é transparente e não requer a atuação do usuário sobre o sistema, pois que o programa gerará uma nova codificação ao produzir um relatório impresso. A adoção de letras, na continuação da numeração arábica, permitiu a permanência de um dígito para cada geração, o que é muito prático, tanto do ponto de vista de análise do código em si, como do ponto de vista do processamento de dados por computador. É um sistema que permite, pela simples observação do código, saber a que geração o descendente pertence e sua posição na árvore. O membro que tenha, por exemplo, o código 13C52 será da quarta geração de descendentes, portanto trineto e, será ainda, o segundo filho do quinto filho do décimo terceiro filho do terceiro filho do genearca. A principal desvantagem do sistema é sua confusão na notação pois que começa com uma seqüência em algarismos arábicos e, para manter um dígito somente o autor usou letras, começando pela letra X, na indisfarçável intenção de sobrepor ao décimo filho um número romano, seguindo daí por diante com o resto do alfabeto e pulando ao final a letra X que já havia sido utilizada no décimo filho. A impressão que se tem é que o Sr. Henry já tinha uma quantidade de trabalho feito utilizando-se do X para o décimo filho quando apareceu um grupo com mais de dez e, para não ter que refazer o serviço, adotou uma nova seqüência, resultando nessa numeração híbrida. Observe-se que no caso exposto acima, com o casamento dos primos Licurgo Terra Cambará e Alice Terra ocorre a situação em que temos dois códigos. É comum a continuação do código de somente um para não ocorrer a duplicação do texto e a duplicação dos códigos, sendo também preferido a continuação do código do cônjuge varão, pois que ele, normalmente, transmite a continuação do sobrenome.

2.2.4 - Sistema Henry modificado, versão I

Das duas variações do Sistema Henry esta é a menos interessante tanto do ponto de vista gráfico quanto do ponto de vista computacional. É uma singela substituição das letras que representam os filhos, a partir do décimo, por números entre parentes. Mantém a hierarquia e permite, da mesma maneira, as observações de geração e posição dentro da árvore. Pode ser apresentada em forma de geração como no exemplo acima ou em cascata como o exemplo abaixo:

1 - Maneco Terra cc Henriqueta

11 - Antônio Terra cc Eulália

111 - Rosa Terra

12 - Lúcio Terra

13 - Ana Terra cc Pedro Missioneiro

131 - Pedro Terra cc Arminda

1311 - Bibiana Terra cc Rodrigo Severo Cambará

13111 - Leonor Terra Cambará

13112 - Anita Terra Cambará

13113 - Bolívar Terra Cambará cc Luzia

131131 - Licurgo Terra Cambará cc sua prima Alice Terra (131211)

1311311 - Rafael Terra Cambará

1311312 - Aurora Terra Cambará

1311313 - Toríbio Terra Cambará

1311314 - Rodrigo Terra Cambará

1311315 - Romualdo Terra Cambará

1311316 - Benjamim Terra Cambará

1311317 - Xisto Terra Cambará

1311318 - Clarice Terra Cambará

1311319 - Tibicuera Terra Cambará

131131(10) - Vasco Terra Cambará

131131(11) - Amaro Terra Cambará

131131(12) - Olívia Terra Cambará

131131(13) - Érico Terra Cambará

1312 - Juvenal Terra (I) cc Maruca

13121 - Florêncio Terra

131211 - Alice Terra cc seu primo Licurgo Terra Cambará (131131)

131212 - Maria Valéria

131213 - Juvenal Terra (II)

14 - Horácio Terra

141 - Picucha Terra Fagundes

2.2.4.1 - Vantagens e desvantagens

Mantém as características do sistema, menos uma, seguramente, a mais interessante, qual seja manter um dígito para cada geração, substituindo-o por quatro dígitos, no mínimo - parênteses, algarismo, algarismo, parênteses. Na intenção de clarear o hibridismo causado pelo uso de letras e números, acresceu-se sinais. Note-se também que no exemplo apresentado, o formato cascata dispensa o uso do sinal + para indicar que há geração subsequente.

2.2.5 - Sistema Henry modificado, versão II

Este sistema, é talvez o mais utilizado nos USA e, em função da divulgação dos softwares genealógicos, é o mais utilizado também fora daquele país. Nessa variação simplesmente há o abandono do X como representativo do décimo filho, substituindo-o pela letra A. Obedece o seguinte: ao genearca é dado o número 1; ao primeiro filho dele é dado o número 11, ao segundo filho o número 12, ao terceiro o número 13 e assim por diante até o nono filho que fica 19, o seguinte, o décimo filho, recebe o código 1A, o décimo primeiro o código 1B, o décimo segundo o código 1C, o décimo terceiro o código 1D e assim subseqüentemente até o 1Z. Vg.:

1 - Maneco Terra cc Henriqueta

11 - Antônio Terra cc Eulália

111 - Rosa Terra

12 - Lúcio Terra

13 - Ana Terra cc Pedro Missioneiro

131 - Pedro Terra cc Arminda

1311 - Bibiana Terra cc Rodrigo Severo Cambará

13111 - Leonor Terra Cambará

13112 - Anita Terra Cambará

13113 - Bolívar Terra Cambará cc Luzia

131131 - Licurgo Terra Cambará cc sua prima Alice Terra (131211)

1311311 - Rafael Terra Cambará

1311312 - Aurora Terra Cambará

1311313 - Toríbio Terra Cambará

1311314 - Rodrigo Terra Cambará

1311315 - Romualdo Terra Cambará

1311316 - Benjamim Terra Cambará

1311317 - Xisto Terra Cambará

1311318 - Clarice Terra Cambará

1311319 - Tibicuera Terra Cambará

131131A - Vasco Terra Cambará

131131B - Amaro Terra Cambará

131131C - Olívia Terra Cambará

131131D - Érico Terra Cambará

1312 - Juvenal Terra (I) cc Maruca

13121 - Florêncio Terra

131211 - Alice Terra cc seu primo Licurgo Terra Cambará (131131)

131212 - Maria Valéria

131213 - Juvenal Terra (II)

14 - Horácio Terra

141 - Picucha Terra Fagundes

2.2.5.1 - Vantagens e desvantagens

É a melhor variação do sistema Henry. O alfabeto foi tomado em sua extensão completa e a insinuação do algarismo romano para o décimo filho foi relegada. Antes era um híbrido de três numerações - arábica, romana e alfabética e, com a alteração, passou a contar somente com duas - arábica e alfabética. As demais vantagens do sistema original foram mantidas.

 

2.2.6 - Sistema D’Aboville I

Este sistema muito semelhante ao sistema de Henry, é um sistema totalmente numérico onde as gerações são separadas por pontos. Vg.:

1 - Maneco Terra cc Henriqueta

1.1 - Antônio Terra cc Eulália

1.1.1 - Rosa Terra

1.2 - Lúcio Terra

1.3 - Ana Terra cc Pedro Missioneiro

1.3.1 - Pedro Terra cc Arminda

1.3.1.1 - Bibiana Terra cc Rodrigo Severo Cambará

1.3.1.1.1 - Leonor Terra Cambará

1.3.1.1.2 - Anita Terra Cambará

1.3.1.1.3 - Bolívar Terra Cambará cc Luzia

1.3.1.1.3.1 - Licurgo Terra Cambará cc sua prima Alice Terra (131211)

1.3.1.1.3.1.1 - Rafael Terra Cambará

1.3.1.1.3.1.2 - Aurora Terra Cambará

1.3.1.1.3.1.3 - Toríbio Terra Cambará

1.3.1.1.3.1.4 - Rodrigo Terra Cambará

1.3.1.1.3.1.5 - Romualdo Terra Cambará

1.3.1.1.3.1.6 - Benjamim Terra Cambará

1.3.1.1.3.1.7 - Xisto Terra Cambará

1.3.1.1.3.1.8 - Clarice Terra Cambará

1.3.1.1.3.1.9 - Tibicuera Terra Cambará

1.3.1.1.3.1.10 - Vasco Terra Cambará

1.3.1.1.3.1.11 - Amaro Terra Cambará

1.3.1.1.3.1.12 - Olívia Terra Cambará

1.3.1.1.3.1.13 - Érico Terra Cambará

1.3.1.2 - Juvenal Terra (I) cc Maruca

1.3.1.2.1 - Florêncio Terra

1.3.1.2.1.1 - Alice Terra cc seu primo Licurgo Terra Cambará (131131)

1.3.1.2.1.2 - Maria Valéria

1.3.1.2.1.3 - Juvenal Terra (II)

1.4 - Horácio Terra

1.4.1 - Picucha Terra Fagundes

2.2.6.1 - Vantagens e desvantagens

É mais uma variação do sistema Henry. A exclusividade da numeração arábica clareia o entendimento restando como única objeção os fatos de que os pontos tornam o código muito extenso e de que os filhos, a partir do nono, ocupem mais de um dígito.

2.2.7 - Sistema Meurgey de Tupigny

Apresentado por Meurgey de Tupigny em 1953 este sistema lança uma numeração em algarismos romanos para cada geração, incluído o genearca, e uma numeração em algarismos arábicos sob forma de tombo por ordem hierárquica de filhos, separadas as duas numerações por hífen. Vg.:

I- Maneco Terra cc Henriqueta

II-1 - Antônio Terra cc Eulália

III-1 - Rosa Terra

II-2 - Lúcio Terra

II-3 - Ana Terra cc Pedro Missioneiro

III-2 - Pedro Terra cc Arminda

IV-1 - Bibiana Terra cc Rodrigo Severo Cambará

V-1 - Leonor Terra Cambará

V-2 - Anita Terra Cambará

V-3 - Bolívar Terra Cambará cc Luzia

VI-1 - Licurgo Terra Cambará cc sua prima Alice Terra (V-2)

VII-1 - Rafael Terra Cambará

VII-2 - Aurora Terra Cambará

VII-3 - Toríbio Terra Cambará

VII-4 - Rodrigo Terra Cambará

VII-5 - Romualdo Terra Cambará

VII-6 - Benjamim Terra Cambará

VII-7 - Xisto Terra Cambará

VII-8 - Clarice Terra Cambará

VII-9 - Tibicuera Terra Cambará

VII-10 - Vasco Terra Cambará

VII-11 - Amaro Terra Cambará

VII-12 - Olívia Terra Cambará

VII-13 - Érico Terra Cambará

IV-2 - Juvenal Terra (I) cc Maruca

V-4 - Florêncio Terra

VI-2 - Alice Terra cc seu primo Licurgo Terra Cambará (V-I)

VI-3 - Maria Valéria

VI-4 - Juvenal Terra (II)

II-4 - Horácio Terra

III-3 - Picucha Terra Fagundes

2.2.7.1 - Vantagens e desvantagens

Apresenta como vantagem uma notação de formato pequeno, mas é meramente de tombo para a qual não se podem fazer indagações e esclarecimentos como permitem outros sistemas. É impossível saber, unicamente pelo código, quem são os pais de, por exemplo VI-4 ou III-3. Por outro lado a inserção de qualquer membro novo, que não esteja no final da árvore, implica na renumeração dos membros subsequentes ao inserido dentro da mesma geração.

2.2.8 - Sistema Villiers/Pama

Apresentado por Chris. de Villiers em Velhas Famílias do Cabo, publicado na década de 90 do século XIX, foi revisado posteriormente pelo Dr. Cor Pama. É o sistema utilizado pelo Conselho de Pesquisa de Ciências Humanas da África do Sul. Ao genearca é assignada a letra A, aos filhos deste são apostos a letra B seguida do número ordinal da ordem hierárquica de nascimento. À terceira geração recebe a letra C seguida do número ordinal da ordem hierárquica dos filhos, reiniciados à cada irmandade. A tabulação para diferenciação das gerações é dada por pontos. Vg.:

A- Maneco Terra cc Henriqueta

.B1 - Antônio Terra cc Eulália

..C-1 - Rosa Terra

.B2 - Lúcio Terra

.B3 - Ana Terra cc Pedro Missioneiro

..C2 - Pedro Terra cc Arminda

...D1 - Bibiana Terra cc Rodrigo Severo Cambará

....E1 - Leonor Terra Cambará

....E2 - Anita Terra Cambará

....E3 - Bolívar Terra Cambará cc Luzia

.....F1 - Licurgo Terra Cambará cc sua prima Alice Terra (V-2)

......G1 - Rafael Terra Cambará

......G2 - Aurora Terra Cambará

......G3 - Toríbio Terra Cambará

......G4 - Rodrigo Terra Cambará

......G5 - Romualdo Terra Cambará

......G6 - Benjamim Terra Cambará

......G7 - Xisto Terra Cambará

......G8 - Clarice Terra Cambará

......G9 - Tibicuera Terra Cambará

......G10 - Vasco Terra Cambará

......G11 - Amaro Terra Cambará

......G12 - Olívia Terra Cambará

......G13 - Érico Terra Cambará

...D2 - Juvenal Terra (I) cc Maruca

....E1 - Florêncio Terra

.....F1 - Alice Terra cc seu primo Licurgo Terra Cambará (V-I)

.....F2 - Maria Valéria

.....F3 - Juvenal Terra (II)

.B4 - Horácio Terra

..C1 - Picucha Terra Fagundes

2.2.8.1 - Vantagens e desvantagens

Apresenta uma notação de formato pequeno, o que é bom, mas tem como óbice principal o apontamento de códigos iguais para pessoas diferentes. Da mesma maneira que o anterior, é impossível tirar conclusões apenas com os códigos como por exemplo saber quem é o pai de F2, se sabe somente que é um E. A inserção de qualquer membro novo, que não esteja no final da árvore, implica na renumeração dos membros subsequentes ao inserido dentro da mesma geração e somente dentro da família pequena.

2.2.9 - Sistema Felizardo/Carvalho/Xavier

Este sistema, muito semelhante ao sistema D’Aboville, foi o utilizado por estes três insignes genealogistas gaúchos, Jorge Godofredo Felizardo, Mário Teixeira de Carvalho e Paulo Jaurés Xavier em seus trabalhos. É um sistema totalmente numérico, hierárquico, onde as gerações são separadas por hífens. Seus códigos nunca tem mais de duas séries de números quais sejam a ordinal da geração anterior mais a da própria geração. A diferenciação entre as gerações dá-se por tabulação. O genearca não leva número algum. Vg.:

Maneco Terra cc Henriqueta

1 - Antônio Terra cc Eulália

1.1 - Rosa Terra

2 - Lúcio Terra

3 - Ana Terra cc Pedro Missioneiro

3-1 - Pedro Terra cc Arminda

1-1 - Bibiana Terra cc Rodrigo Severo Cambará

1-1 - Leonor Terra Cambará

1-2 - Anita Terra Cambará

1-3 - Bolívar Terra Cambará cc Luzia

3-1 - Licurgo Terra Cambará cc sua prima Alice Terra (131211)

1-1 - Rafael Terra Cambará

1-2 - Aurora Terra Cambará

1-3 - Toríbio Terra Cambará

1-4 - Rodrigo Terra Cambará

1-5 - Romualdo Terra Cambará

1-6 - Benjamim Terra Cambará

1-7 - Xisto Terra Cambará

1-8 - Clarice Terra Cambará

1-9 - Tibicuera Terra Cambará

1-10 - Vasco Terra Cambará

1-11 - Amaro Terra Cambará

1-12 - Olívia Terra Cambará

1-13 - Érico Terra Cambará

1-2 - Juvenal Terra (I) cc Maruca

2-1 - Florêncio Terra

1-1 - Alice Terra cc seu primo Licurgo Terra Cambará (131131)

1-2 - Maria Valéria

1-3 - Juvenal Terra (II)

4 - Horácio Terra

4-1 - Picucha Terra Fagundes

2.2.9.1 - Vantagens e desvantagens

A notação de formato pequeno é um bom começo mas esse sistema apresenta muitos óbices. As pessoas dentro da árvore têm notações iguais em gerações diferentes. É igualmente impossível descobrir os pais ou filhos de um indivíduo tendo somente o código. A diferenciação das gerações pela tabulação fica extremamente prejudicada em árvores longas, pois, ao se virar a página perde-se o referencial dos alinhamentos, fazendo que o leitor tenha que voltar as páginas à procura de uma numeração diferenciada para a localização dos pais. Trabalho que vai tornando-se penoso à medida que retrocedem as gerações.

2.2.10 - Sistema Hunsche

Utilizado por Carlos Henrique Hunsche em seus trabalhos, esse sistema lança uma indicação da geração com F para filho, N para neto, B para bisneto, T para trineto, Te para tetranetos, Pe para pentanetos, Ex para hexanetos, Ep para heptanetos, Oc para octanetos, En para eneanetos, De para decanetos. Pospõe a esta indicação o número ordinal hierárquico dentro da família pequena. É uma notação hierárquica. Não dá código para o genearca. Vg.:

Maneco Terra cc Henriqueta

F1 - Antônio Terra cc Eulália

N1 - Rosa Terra

F2 - Lúcio Terra

F3 - Ana Terra cc Pedro Missioneiro

N1 - Pedro Terra cc Arminda

B1 - Bibiana Terra cc Rodrigo Severo Cambará

T1 - Leonor Terra Cambará

T2 - Anita Terra Cambará

T3 - Bolívar Terra Cambará cc Luzia

Te1 - Licurgo Terra Cambará cc sua prima Alice Terra

Pe1 - Rafael Terra Cambará

Pe2 - Aurora Terra Cambará

Pe3 - Toríbio Terra Cambará

Pe4 - Rodrigo Terra Cambará

Pe5 - Romualdo Terra Cambará

Pe6 - Benjamim Terra Cambará

Pe7 - Xisto Terra Cambará

Pe8 - Clarice Terra Cambará

Pe9 - Tibicuera Terra Cambará

Pe10 - Vasco Terra Cambará

Pe11 - Amaro Terra Cambará

Pe12 - Olívia Terra Cambará

Pe13 - Érico Terra Cambará

B2 - Juvenal Terra (I) cc Maruca

T1 - Florêncio Terra

Te1 - Alice Terra cc seu primo Licurgo Terra Cambará

Te2 - Maria Valéria

Te3 - Juvenal Terra (II)

F4 - Horácio Terra

N1 - Picucha Terra Fagundes

2.2.10.1 - Vantagens e desvantagens

Da mesma maneira que o anterior é boa a notação de formato pequeno e a hierarquia fica preservada pela indicação da geração. Os problemas maiores, apresentados por esta notação, do mesmo modo que outras notações, são códigos iguais dentro da mesma geração e, igualmente, torna-se impossível descobrir os pais ou filhos de um indivíduo, tendo somente o código.

2.2.11 - Sistema Dullius/Stemmer

Utilizado pelo autor destes comentários, em seus trabalhos, foi revisada por Gaspar Henrique Stemmer que introduziu complementações para a codificação de cônjuges, quando houver mais de um casamento e para os pais ou antepassados destes cônjuges. O sistema é hierárquico e semelhante ao de Henry. Em vista da assídua presença de casais com mais de dez filhos, o sistema adota o uso de letras em vez de números para a codificação, pois que utilizando-se tão somente de letras podemos ter até 26 filhos na codificação sem alteração alguma da estrutura. As exceções dar-se-ão somente nos casais com mais de vinte e seis filhos, o que, estatisticamente, são raros. A quantidade de letras no código indica a geração. Ao primeiro filho do genearca apomos o código A, ao segundo filho o código B, ao terceiro C, ao quarto D, e assim por diante até o vigésimo sexto, que receberá a letra Z. Ao primeiro filho de cada um destes filhos será aposto um código igual, precedido da letra do pai, ou seja: o primeiro filho de A será AA, o terceiro filho será AC, o quinto filho do nono filho do genearca será IE e assim por diante. Vg.:

Maneco Terra cc Henriqueta

A - Antônio Terra cc Eulália

AA - Rosa Terra

B - Lúcio Terra

C - Ana Terra cc Pedro Missioneiro

CA - Pedro Terra cc Arminda

CAA - Bibiana Terra cc Rodrigo Severo Cambará

CAAA - Leonor Terra Cambará

CAAB - Anita Terra Cambará

CAAC - Bolívar Terra Cambará cc Luzia

CAACA - Licurgo Terra Cambará cc sua prima Alice Terra (CABAA)

CAACAA - Rafael Terra Cambará

CAACAB - Aurora Terra Cambará

CAACAC - Toríbio Terra Cambará

CAACAD - Rodrigo Terra Cambará

CAACAE - Romualdo Terra Cambará

CAACAF - Benjamim Terra Cambará

CAACAG - Xisto Terra Cambará

CAACAH - Clarice Terra Cambará

CAACAI - Tibicuera Terra Cambará

CAACAJ - Vasco Terra Cambará

CAACAK - Amaro Terra Cambará

CAACAL - Olívia Terra Cambará

CAACAM - Érico Terra Cambará

CAB - Juvenal Terra (I) cc Maruca

CABA - Florêncio Terra

CABAA - Alice Terra cc seu primo Licurgo Terra Cambará (CAACA)

CABAB - Maria Valéria

CABAC - Juvenal Terra (II)

D - Horácio Terra

DA - Picucha Terra Fagundes

Stemmer introduziu uma codificação auxiliar para a referência aos cônjuges e antepassados desses. A primeira esposa de A seria A:1, a segunda esposa de A seria A:2 e assim por diante. Os antepassados de A:1 seriam identificados por A:1+, não importando aí a geração. Esta codificação auxiliar é especialmente útil para as referências cruzadas e muito esclarecedoras no índice onomástico, pois que separam os parentes consangüíneos dos colaterais.

Os filhos, além do vigésimo sexto, serão identificados por números. Assim o parente que tiver o código DA1 será o vigésimo sétimo filho, o de código DA2 será o vigésimo oitavo filho, DA9 será trigésimo quinto filho, DA15 será o quadragésimo filho de um outro parente. Esta codificação, além do vigésimo sexto filho, foge da ordenação normal do computador, que obedece a tabela ASCII, e deverão ser ordenadas caso a caso, além disso, quando apresentar mais do que trinta e cinco filhos surgirão dois caracteres na mesma geração, mas como serão raríssimos os casos não apresenta óbice maior.

As observações em torno da comparação entre códigos, constitue o maior trunfo deste sistema, vejamos:

Qual o parentesco entre Alice Terra (CABAA) e seu primo Licurgo Terra Cambará (CAACA). Pela simples contagem das letras sabemos que ambos são tetranetos do casal genearca. Ambos são descendentes do terceiro filho, Ana Terra (C), do casal genearca. E, por sua vez, são descendentes do primeiro filho do casal de C (Ana Terra e Pedro Missioneiro), filho este que tinha o código CA. São ainda descendentes, respectivamente do primeiro e do segundo filhos do casal de CA (Pedro Terra e Arminda) que levam os códigos CAA (Bibiana) e CAB (Juvenal). CAA e CAB são irmãos e seu filhos serão primos em primeiro grau ou primos irmãos. Ou seja, CAAA, CAAB e CAAC serão irmãos entre si e primos irmãos de CABA. Os filhos destes primos irmãos serão primos terceiros entre si. Colocamos os dois códigos um sobre o outro, alinhados pela esquerda e iniciamos a comparação

CABAA

CAACA

Primeiramente riscamos as letras que representam a mesma pessoa nos dois códigos, que no caso é CA. Ficando assim:

CABAA

CAACA

Em segundo lugar riscamos as letras que representam os irmãos que no caso são CAB e CAA. Ficando assim:

CABAA

CAACA

Em terceiro lugar riscamos as letras que representam os primos-irmãos que no caso são CABA e CAAC. Ficando assim:

CABAA

CAACA

Somam-se as letras remanescentes, no caso duas, adiciona-se da unidade (referente aos primos-irmãos ou primos em primeiro grau) e chega-se ao resultado de três, ou seja são eles CABAA e CAACA, primos em terceiro grau.

Resumidamente, qual o parentesco entre CAACAM (Érico Terra Cambará) e um neto qualquer de DA (Picucha Terra). Primeiramente este neto (Fulano) terá um código igual ao de Picucha acrescido de mais dois caracteres ficando, por exemplo, DACC. Fazemos a contagem de letras: CAACAM (Érico) é pentaneto do casal genearca e DACC (Fulano) é trineto do casal genearca. Colocamos um sobre o outro, alinhados pela esquerda e riscamos as letras que representem as mesmas pessoas, os irmãos e os primos-irmãos, assim:

CAACAM

DACC

Sobraram seis letras, com mais um são sete, então eles são primos em sétimo grau.

Outro exemplo: qual o parentesco entre AFHCII e AFHD? Empilham-se os dois, alinhados pela esquerda e compara-se. Ora, um é tetraneto e o outro é bisneto. Riscamos as letras que representam as mesmas pessoas:

AFHCII

AFHD

Os dois tem em comum as duas primeiras gerações do genearca; ambos são descendentes do oitavo filho (H) do sexto filho (F) do primeiro filho do genearca. Após riscar permaneceu CII e D. Ora D é irmão de C, tio de CI e tio-avô de CII; ou seja, AFHCII é sobrinho-neto de AFHD.

2.2.11.1 - Vantagens e desvantagens

As pessoas dentro da árvore tem notações únicas. É possível fazer-se ilações acerca dos códigos, tanto isoladamente como comparativamente, descobrindo-se geração, posição na árvore e parentesco entre pessoas. A diferenciação de gerações apesar de prescindir de tabulação é corroborada por essa para uma apreciação visual mais expedita. A desvantagem, como em outros códigos dá-se pela renumeração necessária ao acrescentar descendentes que não estejam na última posição da árvore.

3 - Funcionamento dos Sistemas em softwares

3.1 - Softwares de edição de textos

Em programas redatores o genealogista ao lançar as árvores tem que atribuir manualmente os códigos, tanto para as genealogias ascendentes como descendentes. Um uso criterioso das funções de localização e substituição pode suprir boa parte das deficiências deste tipo de software para as inserções, remoções e ou relocação de membros nas árvores. Em qualquer caso, o bom lançamento vai depender muito das revisões e atenção dada ao endereçamento.

3.2 - Softwares genealógicos

Nos programas específicos para genealogia o pesquisador tem o seu trabalho muito facilitado. Os softwares atribuem um número de tombo, seqüencial e automático para cada membro inscrito na árvore. No PAF - Personal Ancestral File, produzido pela Igreja dos Santos dos Últimos Dias, esse tombo tem a designação de RIN (Record Input Number), no Family Origins tem a designação de Rec# (Record number). No PAF, assim como nos programas a ele associados, como o Companion, o PAF for Windows ou mesmo o Family Origins esse número é visível e pode-se trabalhar com ele na pesquisa e localização. Outros como o Family Tree Maker têm este número oculto, transparente para o usuário.

Ao produzir uma impressão, os melhores softwares perguntam o tipo de numeração genealógica que se pretende na versão impressa, podendo também apresentar concomitantemente o número de tombo no arquivo. Softwares fazem esta numeração genealógica tão somente na hora de imprimir, o que, sem dúvida, é o melhor, pois que as melhores notações são as hierárquicas enquanto as de tombo são úteis para a pesquisa e localização e essas serão apresentadas na sua última versão, atualizando automaticamente os membros inseridos, removidos e/ou remanejados.

Programas como o PAF for Windows permitem uma impressão tipo Ahnentafel para os antepassados e uma de Registro Modificado, ambas separadas por geração, com geração de índice onomástico ao final, com a presença de datas, locais, notas e fontes. O Companion permite a impressão como Registro Modificado, com ou sem as cifras em algarismos romanos bem como a impressão pelo Sistema Henry.

 

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